sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O amor romântico começa a perder espaço nas relações; ainda bem!

Li no blog da Morango, aqui em Universa, que o Coletivo AbrAce define “arromanticidade” como um movimento de pessoas que não sentem, seja de forma total ou parcial, atração romântica por outras pessoas.

“Os arromânticos (ou apenas aros), não têm vontade ou necessidade de estar em uma relação romântica ou participar de atividades românticas com outras pessoas – o que muitas vezes faz com que sejam vistos como frios, incapazes de afeto ou ‘predadores’. A verdade é que não sentindo atração romântica, sentem pouco ou pouquíssimo desejo de estar ou desenvolver relações românticas”, diz o Coletivo

O amor é uma construção social, que em cada período da História se apresenta de uma forma. Mas somos tão condicionados a acreditar que o amor romântico é a única forma de amor, que questioná-lo faz com que a pessoa seja vista como fria e incapaz de amar.

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O amor romântico não é apenas uma forma de amor, mas todo um conjunto psicológico — ideais, crenças, atitudes e expectativas. Essas ideias coexistem no inconsciente das pessoas e dominam seus comportamentos, determinando como devem sentir e reagir. Ele não é construído na relação com a pessoa real, e sim sobre a idealização que se faz dela.

A partir daí, surgem crenças equivocadas como: quem ama não sente tesão por mais ninguém; o amado deve ser a única fonte de interesse; todos devem encontrar um dia a “pessoa certa. Mas por mais encantamento que cause num primeiro momento, ele se torna opressivo por se opor à nossa individualidade.

Não há dúvida de que desejar viver relações de amor fora do modelo romântico pode ser frustrante. As pessoas são viciadas nesse tipo de amor e fica difícil encontrar parceiros que já tenham se libertado dele. Mas acredito ser apenas uma questão de tempo. As mudanças são lentas e graduais, mas definitivas nesse caso.

Bonnie Kreps, cineasta canadense que escreveu um livro sobre o tema, diz que deixar o hábito de “apaixonar-se loucamente” para a novidade de entrar num tipo de amor sem projeções e idealizações também tem sua própria excitação. É a mesma sensação de utilizar novos músculos, que sempre tivemos, mas nunca usamos por causa de nosso modo de vida. No entanto, ao começar a utilizá-los podemos fazer com nosso corpo coisas que antes nunca conseguimos.

Para ela, os músculos psicológicos também existem e devemos olhar através da camuflagem do mito do amor romântico a fim de encontrá-los — e, então, ver com o que se parecerá o amor quando mais pessoas começarem a flexioná-los.


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Ciume, solidão e desejo: 10 pensamentos sobre o amor

  1. A condição para ficar bem sozinho é autonomia pessoal, libertando-se da dependência amorosa exclusiva e “salvadora” de alguém.
  2. Para mantermos a fantasia de que o outro nos completa, exigimos que ele seja tudo para nós e nos esforçamos para ser tudo para ele.
  3. Quando se perde o medo de ser sozinho, se percebe que não ter um par não significa necessariamente solidão. Veja também:
  4. Ceder numa relação amorosa e abrir mão de coisas importantes pode ter um preço tão alto cobrado depois que inviabilize a própria relação.
  5. Imaginar que numa relação amorosa vai se completar, que nada mais vai faltar, é o caminho mais rápido para a decepção.
  6. Sentir desejo por alguém que não seja o parceiro fixo é comum. Viver ou não essa experiência depende da visão que cada um tem do amor e do sexo.
  7. As pessoas temem na separação, o desamparo, a falta do outro, de não encontrar novo amor, de não se sustentarem, de se sentirem jogadas fora.
  8. O desespero de alguns na separação se deve também ao fato de cada experiência de perda reeditar vivências de perdas anteriores.
  9. No amor, devemos modificar nossas próprias atitudes inconscientes — exigências que impomos aos nossos relacionamentos.
  10. O ciumento controla o outro da mesma forma que a criança faz com a mãe, imaginando diminuir assim as chances de abandono.

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sábado, 22 de fevereiro de 2020

Já é Carnaval! Está sentindo a sensualidade e a excitação no ar?

No Carnaval paira algo diferente no ar, uma espécie de sentir e agir que só se observa nesses dias. Milhões de foliões estão na rua cantando, dançando….e se beijando. O amor é sem barreiras e, com permissão, pode-se beijar à  vontade: ninguém leva nada a mal.

Impossível não perceber a sensualidade solta e a excitação brilhando no olhar das pessoas. Há liberdade para as pessoas se tocarem e se sentirem, mas com muita urgência, afinal, o tempo é limitado. Tudo acaba na quarta-feira! As normas e regras, que durante todo o ano contêm e limitam o prazer, parecem se diluir.

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Nunca saberemos quantos casais farão sexo pela primeira vez neste Carnaval, que agora se inicia. Mas podemos ter certeza de que serão muitos. É a festa da sensualidade, embalada pela percussão e as vozes de estranhos se encontrando em letras sugestivas: “quanto riso, oh, tanta alegria…” Abraços e beijos suados erotizam a todos.

A liberação do sexo no carnaval é uma questão cultural. É um período de trégua à censura que as pessoas se impõem durante o ano. A busca incessante do amor idealizado, ou a luta por sua manutenção, cede espaço ao exercício da sexualidade longe de qualquer restrição. Há mais coragem para experimentar o sexo casual, sem nenhum compromisso.

Mas há algo que não pode ser esquecido: a camisinha.

 

 


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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Gravidez masculina é uma possibilidade no nosso horizonte?

A ideia da possibilidade de gravidez masculina causou perplexidade e de tão absurda quase nem foi comentada. É difícil saber o que pensar. Então, o melhor é que fique no lugar de onde, para muitos, nunca deveria ter saído: na ficção. Arnold Schwarzenegger, um dos homens mais fortes e musculosos do mundo, interpretou esse papel num filme. Foi o primeiro a dar à luz na história do cinema. Mas era uma comédia, claro, e todos riram. Agora, não, é sério. O homem grávido passa a ser uma possibilidade.

Um dos mais famosos ginecologistas ingleses, Robert Winston, descreveu, há alguns anos a técnica de gravidez masculina, baseado em casos de gravidez fora do útero em mulheres. Segundo ele afirma, um bebê pode se desenvolver na barriga de um homem se um embrião fertilizado in vitro, o bebê de proveta, for posto no abdômen.

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A placenta vai grudar, não na parede interna do útero, que o homem não tem, mas em qualquer outro órgão, provavelmente no intestino. A placenta do bebê receberá os nutrientes da corrente sanguínea do pai e o bebê vai abrir uma cavidade no abdômen, se desenvolvendo como se estivesse dentro de um útero. Após os habituais nove meses a criança nascerá de uma operação cesariana.

Como não poderia deixar de ser os especialistas se dividiram. Alguns alegaram que os perigos para o bebê e o pai são muitos. Outros afirmaram que a medicina aos poucos vai conseguir diminuir os riscos envolvidos, e quando as dificuldades técnicas forem solucionadas, os casais terão mais uma opção para ter filhos.

Anteriormente, em 1985, os dois principais responsáveis pelo primeiro bebê de proveta francês tiveram oportunidade de emitir dúvidas quanto à impossibilidade. O professor René Frydman disse: “Há dois anos, não considerava essa possibilidade. Mas agora, francamente, não sei mais.” Alguns meses mais tarde, ele foi mais afirmativo: “Tecnicamente, é possível… O mito da gravidez masculina pode tornar-se realidade.”

Na mesma época, o biólogo Jacques Testard escreveu: “Pode-se também imaginar que um homem peça para viver uma gravidez, recebendo em seu abdômen um embrião de alguns dias. Tal pedido nos foi encaminhado por um transexual. Não se pode esquecer que num plano estritamente médico, a gravidez masculina — como a gravidez feminina, que se desenvolve fora do aparelho genital — apresenta riscos mortais.”

Entretanto, o biólogo completa sua observação com a seguinte nota: “A gravidez masculina não é apenas uma fantasia. Duas noções fisiológicas mostram que ela é possível; primeiro, o embrião humano pode se desenvolver até o fim fora do útero — na cavidade abdominal — e crianças nasceram assim, após uma cesariana; em seguida, as regulações hormonais no decurso da gravidez podem ser asseguradas sem a presença dos ovários, graças a injeções hormonais apropriadas.”

Há especialistas, a exemplo de outros médicos americanos e neozelandeses, que rejeitam radicalmente a oportunidade de tais pesquisas.

A filósofa francesa Elisabeth Badinter diz que “apesar dos princípios filosóficos e morais nos quais se fundamentam a rejeição de tal hipótese, as repugnâncias de hoje podem esconder os desejos de amanhã. Afinal, a fantasia de gravidez há muito tempo assedia o inconsciente masculino, e não está excluída a hipótese de que alguns homens tentem pôr fim a uma nostalgia, uma impotência que eles evocam cada vez mais abertamente.”

 


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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

“Na cama, tenho pouca experiência e me sinto sempre em desvantagem”

“Tenho 20 anos e pouca experiência sexual. Meu namorado atual foi com quem perdi a virgindade…..estamos juntos há seis meses. Na cama me sinto sempre em desvantagem por causa da minha inexperiência. Não sei bem como me comportar. Ele diz que eu poderia ser menos passiva, sem nenhuma iniciativa.”

***

Desde a Antiguidade, chineses, indianos, árabes desenvolveram técnicas sofisticadas para o amor, que compõem os manuais sobre sexo. Para os chineses, muitos conhecimentos acumulados pelos taoístas foram registrados nos Livros de Almofadas, em que o prazer do sexo é visto como uma arte a ser dominada por ambos os parceiros no interesse do prazer mútuo.

A crença árabe de que o sexo é uma dádiva a ser desfrutada pelo homem e pela mulher é relatada no guia sexual O Jardim Perfumado. Mas de todos os tratados antigos sobre a arte de amar, nenhum teve tanto impacto na sociedade ocidental quanto o indiano Kama Sutra. Nele existem conselhos de como se aproximar do parceiro, instruções sobre como beijar, as carícias preliminares, inúmeras posições e técnicas para o ato sexual.

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Muita gente se pergunta por que o sexo precisa de ensinamentos se é algo da natureza. Na realidade, a aprendizagem não é necessária quando se trata do sexo para procriação. Mas para quem estiver visando obter e proporcionar prazer, o sexo é um longo processo de aprendizagem. São muito amplas nossas possibilidades sexuais. Podemos experimentar a sexualidade desde a simplicidade reprodutora de um casal de puritanos até um sexo extremamente prazeroso, capaz de nos transformar.

Para que o sexo não seja impessoal, estereotipado, é importante que seja um ato de criação contínua, que se experimentem sempre novas sensações. É importante que haja total liberdade entre os parceiros, para que um possa comunicar ao outro suas áreas mais sensíveis e encontrar a posição que proporciona mais prazer. Acredito que o sexo só é bom de verdade quando os movimentos acompanham as sensações e cada posição desencadeia uma nova emoção.


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sábado, 15 de fevereiro de 2020

Mulher decidiu ser submissa ao marido: porque isso é retrocesso lamentável

Surgem grupos, principalmente nos EUA e no Reino Unido, que defendem e promovem estilo de vida baseado no papel da esposa tradicional. As ‘#tradwives’ decidiram deixar seus empregos para se dedicar totalmente ao trabalho doméstico e defendem que sua felicidade passa pela subserviência aos maridos e filhos. “Donas de casa da nossa geração que estão felizes em se submeter, cuidar da casa e mimar o marido como se fosse 1959”. Assim define o propósito das #tradwives Alena Kate Pettitt, fundadora da plataforma online The Darling Academy.

Durante cinco mil anos, as mulheres sofreram todo tipo de constrangimento familiar e social. Foram humilhadas, desprezadas, escravizadas. A elas foram negadas quase todas as experiências do mundo. Consideradas incompetentes e desinteressantes ficaram relegadas ao espaço privado. A luta das mulheres para se livrar da opressão tem sido longa e árdua. Mas esse retrocesso não é novidade.

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A primeira reação ao movimento feminista surgiu na década de 1980. A mídia americana divulgou alarmantes sinais de que as mulheres haviam perdido muito com sua revolta contra a histórica opressão masculina. A revista Newsweek informou que o estresse atacava mulheres, que agora eram executivas de empresas. As mulheres solteiras e independentes estavam “deprimidas e confusas” devido à “falta de homens”, disse o New York Times.

Acredito, entretanto, que as propostas absurdas contra as mulheres não sejam um retorno aos antigos valores. Mesmo porque tanto homens como mulheres possuem o mesmo potencial para os diversos comportamentos. A supremacia masculina, que perdurou tanto tempo, envenena todas as relações humanas, prejudicando também os homens.


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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Por que é comum rompermos relações com o ex?

Você já reparou que é comum uma pessoa passar anos ao lado de alguém, com muita intimidade, dividindo todos os momentos da vida e, de repente, como se tivesse sido desligada da tomada, deixar de ter qualquer importância? Deixa de existir no campo afetivo do outro, aliás, a impressão é a de que nunca existiu. Na maior parte das vezes é assim que acontece com os ex-casados. E o curioso é esse comportamento ser visto como natural.

Num casamento é possível viver junto, com satisfação durante algum tempo, mas é comum que, num determinado momento, surjam novos anseios. Não se deseja mais conviver diariamente com aquela pessoa, nem se sente mais desejo por ela. Entretanto, não significa absolutamente que o amor, caso houvesse, tenha acabado.

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Gilberto Gil percebeu isso quando compôs Drão para a ex-mulher:

Drão/não pense na separação/não despedace o coração/o verdadeiro amor é vão/estende-se infinito/imenso monólito/nossa arquitetura/Quem poderá fazer/aquele amor morrer/nossa caminha dura/cama de tatame/pela vida afora…

Mas é comum se aceitar o amor dentro de limites tão estreitos que ele se torna um sentimento frágil. Acredito numa incompetência generalizada para a vida amorosa. Poucos conseguem depois da separação continuar amando seu antigo parceiro e sendo amado por ele.

Um deve ser excluído para que se coloque outro no lugar. Entretanto, a relação amorosa pode ser rica, variada, e se realizar de modos diversos. Com o ex geralmente ela se transforma: passa a ter novos códigos e menos convívio. Mas não tem nada a ver com estar amando menos.

Talvez uma explicação esteja no fato de que numa vida a dois, investimos na relação, esperando que todas as nossas necessidades sejam preenchidas. Sentimo-nos protegidos e alimentamos a fantasia de que nada vai nos faltar.

O parceiro amoroso se torna, então, imprescindível, parte da nossa vida. Mas a questão é que a importância que ele tem não é própria, e sim trazida pelo vínculo amoroso, só perdurando enquanto existir a relação. Afinal, amamos estar amando; nos apaixonamos pela paixão.


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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

“Meu marido saiu de casa para viver com outra mulher e acho que vou morrer”

“Eu e meu marido estamos casados há 12 anos. De uns tempos pra cá, as coisas não andavam bem. Sexo se tornou raro e as conversas amistosas também. As brigas foram se sucedendo. Pensei várias vezes se não seria melhor nos separarmos, mas nunca tive coragem de tocar nesse assunto. Há um mês ele me chamou pra conversar e informou que estava saindo de casa. Disse que não me amava mais e iria viver com a outra mulher. Sinto uma dor tão profunda, que às vezes penso que vou morrer…”

 

***

A ideia de felicidade através do amor no casamento influi na intensidade da dor na separação. A família nuclear (pai, mãe e filhos), que caracteriza a época contemporânea, reduz a troca afetiva a um número pequeno de pessoas, sobrecarregando marido e mulher como depositários das projeções e exigências afetivas do outro.

Mesmo quando considerada necessária, ainda que a relação seja insatisfatória, e o parceiro não preencha as necessidades afetivas e sexuais do outro, a separação não deixa de ser uma experiência dolorosa, na maior parte das vezes. Mas, afinal, por que é tão difícil se separar? São várias as razões.

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Desde cedo somos levados a acreditar que a vida só tem graça se encontrarmos um grande amor. Se acontece, a expectativa é a de que vamos nos sentir completos para sempre, nada mais nos faltando. Isso é impossível, evidente, mas as pessoas se esforçam para acreditar e só desistem depois de fazer inúmeras concessões inúteis.

Deixar de ser amado ou desejado afeta a autoestima, e as inseguranças reaparecem. A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades. E para piorar tudo, na maioria dos casamentos, homens e mulheres abrem mão da liberdade e da independência, tornando-se mais frágeis em caso de ruptura.


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sábado, 8 de fevereiro de 2020

A menstruação e a inquietação dos homens com o corpo feminino

Na Índia há muita desinformação sobre a menstruação, e falar do assunto causa constrangimento. Instituições indianas criaram então o “Feliz dia da Menstruação”, para tirar o estigma sobre o tema na sociedade indiana.

Em várias culturas o sangue ocupa lugar especial entre as interdições. O médico holandês Levinus Lemnius (1505-1568), autor de uma obra bem conhecida na Europa, afirma que o homem cheira bem naturalmente, ao contrário da mulher: “A mulher abunda em excrementos, e por causa de suas flores (menstruação) ela exala mau cheiro, também ela piora todas as coisas e destrói suas forças e faculdades naturais.”

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Ele acredita que o contato com o sangue menstrual destrói as flores e os frutos, amolece o marfim, faz o ferro perder o corte, enraivece os cães, provoca a fuga das abelhas, o aborto das éguas, a esterilidade das asnas. Para o Dr. Lemnius, o cheiro feminino é resultado do frio e da umidade próprias desse sexo, ao passo que “o calor natural do homem é vaporoso, doce e suave, e quase embebido por algum aroma”.

Ao contrário do homem, a mulher não cheira bem de jeito nenhum, segundo sua visão. O odor que ela exala é tão desagradável que a sua aproximação faz secar, sujar e escurecer a noz-moscada. O coral empalidece a seu contato, ao passo que se torna mais vermelho em contato com o homem.

Antes dele, gregos e romanos condenavam o ato sexual com mulheres menstruadas. Mais, eles acreditavam que o contato delas cegaria o fio de uma faca ou azedaria o vinho, ou ainda, se um cão lambesse aquele sangue contrairia hidrofobia. Não é difícil de perceber por que esses mitos se sustentavam. A função biológica da menstruação era desconhecida até bem pouco tempo.

As mulheres sofreram o que nunca saberemos, em função de sua natureza e da repercussão familiar e social de seu sangramento. Elas mesmas alimentaram profundos preconceitos com o seu corpo, e há registro de como muitas se julgaram amaldiçoadas, feiticeiras, tomadas pelo demônio, abandonando família e grupo social para recolherem-se ao exílio e à morte.


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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

13 mentiras que estão limitando sua vida amorosa como mulher

É comum ouvir dizer que, passada a contestação dos anos 70, o comportamento dos jovens voltou a ser tão conservador quanto antes. Mas isso não é verdade.  No que diz respeito a amor, casamento e sexo, grandes transformações estão acontecendo. Valores aceitos durante séculos como verdades absolutas estão sendo questionados, por não dar mais respostas satisfatórias.

A mulher poder dividir o poder econômico com o homem e ter filhos se quiser e quando quiser é a transformação radical que comanda todas as outras subsequentes. Porém, a modificação da maneira de pensar não atinge a todas as pessoas ao mesmo tempo e é por isso que encontramos anseios e comportamentos tão diversos num mesmo grupo social.

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Ainda existem pessoas insistindo em acreditar em mentiras que limitam a própria vida. Como são muitas, posso citar algumas que me ocorrem e você pode pensar em outras diferentes dessas:

  1. Só é possível a realização afetiva no casamento;
  1. Não é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo;
  1. Quem ama não sente tesão por mais ninguém;
  1. Para resolver a questão da falta de tesão no casamento basta ser criativo;
  1. Homens e mulheres são por natureza emocionalmente diferentes;
  1. Ninguém pode ser feliz sem um par amoroso;
  1. Desejar relações amorosas e sexuais com parceiros variados significa imaturidade;
  1. O amor materno é da natureza da mulher e toda mulher deseja ter um filho;
  1. O pai não tem condições de criar um filho tão bem quanto a mãe;
  1. A iniciativa da proposta sexual cabe naturalmente ao homem;
  1. No sexo, o homem é naturalmente ativo e a mulher passiva;
  1. O homem gosta mais de sexo que a mulher;
  1. No casamento é importante ceder sempre.

Essa lista pode se estender por muitas páginas. Isso tudo, e muito mais, nos foi ensinado desde cedo. Quem acredita sofre. Abre mão de suas singularidades e nunca se arrisca a novas experiências.

Mas, felizmente, cada vez é maior o número de pessoas que duvidam dessas afirmações e dentro de algum tempo pode ser que a vida se torne bem mais satisfatória para elas.


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

“Meu namorado é inteligente e bonito, mas na cama é uma tragédia”

“Namoro, há três meses, um homem por quem me apaixonei desde o início. Ele é inteligente e bonito, mas na cama é uma tragédia. E se eu digo qualquer coisa ele não aceita…. Nessas horas surge o machão — só ele sabe tudo. Acho que nunca ouviu falar em preliminares. Fica excitado, logo me penetra e goza. Até agora nãoconsegui ter orgasmo na transa com ele, embora esse nunca tenha sido um problema pra mim. Estou começando a me desapaixonar….”

***
Não são poucas as mulheres que se queixam do desempenho sexual dos homens. A maior queixa parece ser mesmo o não prolongamento das preliminares. Com tanta repressão homens e mulheres foram inibidos na sua capacidade para o prazer sexual.

As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir o orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que muitos fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular.

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Para dificultar mais ainda as relações entre os sexos, a mentalidade patriarcal delega as características “duras” aos homens e “moles” às mulheres, os homens competem e as mulheres demonstram emoção. Poucos homens conseguem experimentar a intimidade emocional com a mulher, em vez de somente a sexual.

Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer com a parceira é difícil. Perder o controle ou falhar é uma ameaça constante, tornando o sexo uma experiência ansiosa e limitada. É impossível ser amoroso quando se é travado emocionalmente.

Um grande amante não nasce do nada. É preciso aprendizagem e muita espontaneidade. Como em qualquer forma de arte, fazer sexo requer técnica e sensibilidade. Não ter preconceitos nem ideias estereotipadas a respeito do papel do homem e da mulher, mas disposição para proporcionar e receber prazer, são requisitos básicos.


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sábado, 1 de fevereiro de 2020

Abstinência como política: por que achamos que sexo é sujo e perigoso?

A ministra Damares Alves incentiva a abstinência sexual como política pública para combater a gravidez precoce e a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Poderia parecer uma medida necessária para proteger os jovens. Mas será que por trás disso não se está reforçando a ideia nociva de que o sexo é algo sujo e perigoso?

A partir do Cristianismo, as pessoas passaram a acreditar na danação eterna por conta dos desejos sexuais. O grande movimento de fuga para o deserto vai em busca da pureza sexual. No final do século IV, somente no Egito, pelo menos 22 mil homens e mulheres haviam se afastado de suas comunidades a fim de ter vida monástica e ascética no deserto que se estendia ao longo do Nilo, mortificando o corpo para se livrar da tal danação.

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Durante vários séculos, o casamento continente, ou seja, casamento sem relação sexual alguma, foi louvado como sendo a mais elevada forma de união entre homem e mulher. Essa forma de casamento existiu com bastante frequência, e chegou a ser falada a ponto de se transformar em obsessão. Sabendo disso, não fica difícil entender por que no século 21 tanta gente sofra com seus desejos, fantasias, medos e culpas.

Até o início do século 20, as moças iniciavam a vida sexual por volta dos 13, 14 anos ou até antes. Por questões econômicas ou de sobrevivência, geralmente por imposição da família, se casavam cedo e o objetivo do sexo era apenas gerar filhos. O prazer praticamente só existia para o homem. Por ser desnecessário à procriação, para a mulher não era nem cogitado. Ao contrário, a dor e o sofrimento faziam parte do sexo.

Na década de 1960, com o advento da pílula anticoncepcional, pela primeira vez na história da humanidade o sexo foi dissociado da procriação e passou a se relacionar intimamente com o prazer.

A profunda modificação fisiológica que ocorre na puberdade, com o aumento da produção de androgênios e estrogênios, prepara o corpo para a reprodução, intensificando o desejo sexual no homem e na mulher. A busca da satisfação é o caminho natural. Entretanto, o controle sobre o prazer continua a ser exercido.

A doutrina de que há no sexo algo pecaminoso é totalmente inadequada, causando sofrimentos que se iniciam na infância e continuam pela vida afora. O filósofo inglês Bertrand Russel diz em um dos seus livros: “Mantendo numa prisão o amor sexual, a moral convencional concorreu para aprisionar todas as outras formas de sentimento amistoso, e para tornar os homens menos generosos, menos bondosos, mais arrogantes e mais cruéis.”

O neuropsicólogo James W. Prescott, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, de Maryland, EUA, publicou em 1975 o resultado estatístico da análise de 400 sociedades pré-industriais e comprovou que aquelas culturas que dão muito afeto físico a seus filhos e não reprimem a atividade sexual de seus adolescentes são culturas pouco inclinadas à violência.

Ele afirma que uma personalidade orientada para o prazer raramente exibe condutas violentas ou agressivas e que uma personalidade violenta tem pouca capacidade para tolerar, experimentar ou gozar atividades sensualmente prazerosas.

Acredito que o jovem deve iniciar sua vida sexual quando desejar. Os pais e a sociedade devem cuidar para que isso ocorra da forma mais natural e prazerosa possível. A saúde mental e social das pessoas depende disso.

Certamente muitos casos de impotência, ejaculação precoce e ausência de orgasmo feminino seriam evitados, assim como diversos tipos de agressão sexual.
Só mais um detalhe: o uso da pílula e da camisinha deveria fazer parte da educação, como o ato de tomar banho e de escovar os dentes.


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